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Cátia Sofia Santos

Lifestyle

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Cátia Sofia Santos

04
Ago17

MÃE, POSSO SAIR À NOITE?


Cátia Sofia Santos

Há um dia em que eles olham para os pais e perguntam se já podem sair à noite. A adolescência é um processo de construção de identidade, autonomia e, acima de tudo, é inevitável. Este é um dos maiores desafios parentais, que, mais tarde ou mais cedo, irá chegar.

 

 

A adolescência é, por si só, uma nova e importante etapa na vida de qualquer pessoa. Com esta fase surge algo mais:  os adolescentes querem e começam a sair à noite. Mas, para quem é mãe ou pai, este pode ser um motivo de preocupação.

 Assoma-se então a seguinte questão: Há uma idade certa para deixar os filhos saírem à noite? Para Paulo Vitória, psicólogo e terapeuta familiar, a resposta a esta pergunta deve ser dada a partir de dois princípios importantes nas relações humanas e na educação: «Bom senso e cada caso é um caso».

Este fenómeno a que a sociedade chama de adolescência é um conceito moderno resultante de uma interação social entre a vida em sociedade e a biologia. Na era industrial, não havia adolescência. E a sociedade está em constante aprendizagem acerca deste fenómeno, em especial os pais, no que concerne ao exercício da parentalidade.

Muitos especialistas consideram este um dos maiores desafios que os pais têm de enfrentar na educação dos filhos. «A adolescência é um fenómeno muito complexo. Não há dois adolescentes iguais. O desenvolvimento acontece em ritmos desfasados em dimensões essenciais do ser que está em construção», esclarece o psicólogo.

Se, por um lado, o físico se desenvolve mais cedo, o lado emocional desenvolve-se cada vez mais tarde. «Os adolescentes podem ter um corpo de adulto e cérebro de criança. Por isso, cada caso é um caso. Mas ninguém conhece melhor os adolescentes do que os seus pais».

Apesar de todas as dificuldades que a adolescência provoca, é essencial que os pais não abandonem o seu poder parental para que os filhos cresçam em segurança e sejam adultos fortes e saudáveis. Paulo Vitória defende a importância dos pais resistirem à tentação de serem os amigos mais velhos, em vez de serem mãe ou pai.

A idade mais certa para deixar os filhos sair à noite deve, portanto, resultar do bom senso dos pais. «Os pais devem assumir, tranquilamente, que essa idade pode não ser a mesmo para filhos diferentes, porque não há dois adolescentes iguais».

 

Não obstante, é fundamental estabelecer algumas regras para as saídas noturnas. Uma das consequências da imaturidade é a dificuldade em cumprir regras de modo autónomo e «é uma obrigação dos pais. No caso das saídas noturnas, definir regras é fundamental por questões de educação e de segurança», aponta Paulo Vitória, professor na Universidade da Beira Interior.

 

O psicólogo aponta algumas regras de ouro a serem impostas: Definir horas para chegar a casa, telefonar aos pais em qualquer situação de emergência (melhor se for de pré-emergência) e informar para onde vão e com quem vão. O valor da segurança sobrepõem-se ao valor da liberdade, algo que para os adolescentes ainda está em fase de aprendizagem.

 

Como se costuma dizer , ‘as regras existem para serem quebradas’. Este é um risco que se corre, mas «faz parte do papel parental definir regras e exercer autoridade», garante Paulo Vitória. Quando o seu filho quebrar uma dessas regras veja a situação como uma oportunidade de educar. Na maioria dos casos, não é grave, mas não pode ser ignorado. As consequências dependem novamente do bom senso e do caso em questão. Se, por exemplo, o adolescente chegar a casa alcoolizado (grave) poderá impor que não está autorizado a sair à noite no próximo mês ou algo do género».

 

Em caso de pais divorciados, as regras devem ser definidas por aquele que tem o filho a seu cargo. «Os pais devem resistir a eventuais tentativas de manipulação dos filhos adolescentes, (…) são um risco para o sucesso do processo educativo. Por exemplo, se o filho diz ao pai que a mãe o deixa sair até às 3h da manhã, o pai deve responder que na sua casa quem define as regras é ele próprio e que o filho deve adaptar-se a essa situação», aconselha Paulo Vitória.

 

 

 

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